Pizzada de Carnaval – 2021

Olá, amigos. Neste carnaval resolvi fazer uma das coisas que mais gosto.

É sempre um grande prazer fazer pizzas para as pessoas que amo.

Nem preciso dizer muito. O próprio vídeo já diz tudo.

Espero que gostem!

Abraços.

Sopa de letrinhas

Ainda quando garoto,
comecei a escrever poesia
e rimava tudo, todo dia,
mas não ficava maroto.

Depois dos poemas,
passei a compor
com muito rigor
e estratagemas.

Mas hoje não sou mais escravo
daquela bobagem
da tal silabagem,
que considero um estrago.

Sou como Drummond,
o tal do Andrade,
livre na vida,
dizendo a verdade.

Rimas e métricas
apenas por estéticas
não me atraem mais
e acho até triviais...

Vou ficando por aqui
pra não soar juvenil,
mas é que de poesia infantil
eu “já estou por aqui”.

Ricardo Starling

Brasília, 5 de fevereiro de 2021.

Números, números, números

Num instante,
de repente,
cá estava eu
novamente
pensando
como todos
os outros.

E bateu aquele aperto,
aquela cobrança
de que tenho que ser mais,
ou melhor,
de que tenho que ter mais
daquilo que uns têm
e que outros nem têm.

Números, números, números…
O homem venera os números
porque sempre se pode
acrescentar mais um…

Então o homem se esquece
de aproveitar de verdade
aquilo que tem,
e aproveita
ainda muito menos
aquilo que é.

Porque nunca lhe convém
se sentir bem
com o que já tem.

Existe a Terra do Nunca
e a Terra do Sempre…
Sempre correndo atrás
de números.

É nessa que a gente vive.

É o mundo do
tenho, você não tem;
fui, você não foi;
vou, você não vai;
você já foi?
Eu fui mais...
Mas todos se vão!

Enquanto isso,
não preciso de muito
para ser feliz.

Por isso relaxo e respiro,
afinal, eu prefiro
pensar e existir.

Prefiro viver,
ao invés de passar
a maior parte do tempo
insatisfeito e tentando
decorar números,
em busca de mais números.

Ricardo Starling

Brasília, 4 de fevereiro de 2021.

Falsos profetas

Como disse um grande poeta
lá de Sobral, no Ceará,
cujas ideias realistas
é sempre bom relembrar:
“eu não estou interessado
em nenhuma teoria,
em nenhuma fantasia,
nem no algo mais”.

Eu não estou interessado
em discursos baratos,
sem nexo com os fatos,
que rimam qualquer coisa
com religião,
qualquer ideia doida
com sermão,
numa alucinação banal
no palanque da moral.

O pior dessa loucura
é que não se encontram nas farmácias
os remédios para as falácias
que surgem espontaneamente,
diariamente,
absurdamente,
inacreditavelmente,
dentro de suas mentes,
como abortos
saídos de seus dedos,
constatados,
registrados,
ignorados,
subnotificados,
infundados,
inexplicáveis,
insustentáveis,
enfim,
sem sentido.

Mas vendem esparadrapos
para tapar as bocas
dos fanáticos,
dos lunáticos,
que fazem das religiões
verdadeiras seitas,
proferindo ideias
sem prescrições
e sem receitas,
colocando palavras
na boca de Deus.

Com todo respeito
às suas crenças,
meu nobre leitor,
mas é que por aí
tem muito enganador
enganando a si mesmo
e julgando com chicotes.

No estalar de suas línguas,
ouço chicotadas
deturpadas
de quem ainda não entendeu
que o seu próprio Deus
já lhes havia dito,
e até deixado por escrito,
que atirasse a primeira pedra
aquele que não tivesse pecado.

Pelo contrário.
Fizeram foi como Davi,
que matou Golias a pedradas.
Compraram até estilingues
para treinar a pontaria
de sua infantaria
infantilizada
e totalmente atrasada
(diria até “hipócrita”),
de quem não tem nenhuma empatia
para amar e respeitar os outros
como a si mesmos.

Ricardo Starling

Brasília, 3 de fevereiro de 2021.

um murro no muro

Mercadorias, melancolias e melodias…
Produtos e subprodutos.
Posso me revoltar sem armas?
Talvez uma picaretada
Na cara do picareta.
Ou um murro no muro.

Os muros são duros,
São surdos,
São mudos,
São surdos-mudos.
Nem adianta explicar.

Perdemos o mundo
Pouco a pouco
Por entre os dedos dos pés,
Na lama da terra,
Nos crimes selvagens.

O que há de melhor em mim
É a revolta
No lamaçal de lodo
De onde me salvo.

Ricardo Starling

Brasília, 2 de fevereiro de 2021

novo vento amigo

Olha o dia de ontem
Acabando na lembrança.
De repente, olha eu de novo
No espelho da esperança.
Tempero, temperança,
Temperamento temperamental.

No vento que soprou lá de Minas,
Ouvi que amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves.

Daqui do Cerrado eu grito:
Amigo é pra sentar junto,
Jogar conversa fora
E jogar fora essa chave junto.

Eu guardo segredo, meu amigo.
A lembrança morrerá junto comigo.
E o vento que já soprou
Já não volta mais.

Falo da morte porque também é vida
A tal da partida para o mundo invisível.
E a ideia é morrer jovem
O mais velho possível,
Deixando o vento passar
Para o novo vento soprar.

Brasília, 31 de janeiro de 2021

cachorro

(para o meu bom e velho Luke)

Cachorro,
preto, branco, marrom,
bicolor, tricolor, colorido,
acabou de acordar,
dormindo, acordado,
dormindo, acordado.

Fedido!

Rabo grosso,
rabo fino.
Tem raça ou é virador?

Todo cachorro se vira…
Vira-mundo, vira-latas, vira-humanos,
vira os donos, vira-tudo
de pernas pro ar,
de cabeça pra baixo
(o meu é labrador!).

A gente é que pensa que domina
os cachorros.
Os cachorros têm certeza do contrário:
“dominamos!”.

São donos das migalhas,
de um saco inteiro de pão.
Têm até ração,
mas é segunda opção.
Quer mesmo é o que está
na mão.
Churrasco, então…
(tem cachorro vegetariano!)

São donos de todos
os corações de seus donos.
E são cheios de manias
que aprenderam com a gente.

Ah… que olharzinho amoroso…
Tem cachorro que morde
(e morde até o rabo).

Pra cada coisa um olhar
ou um barulhinho gostoso.
Tem cachorro até cheiroso.
Repito: o meu tá fedido!

Mas isso é um mero detalhe
que o torna ainda mais perfeito.
Porque ele me ama do meu jeito
e nunca se importa se eu estou fedido
(ele até gosta).
Quer carinho o dia inteiro…

Uma das maiores virtudes do meu cão
é que ele não fala!
Mas ele vem todo cheio de baba.
Sai pra lá! Não!
Pra não xingar coisa pior.
Depois vem o melhor:
vem o cachorro,
pedindo perdão
por me amar tanto,
me sujar tanto,
por feder tanto…
Mesmo que a culpa seja minha
por não lhe dar banho.

E é assim todos os dias...
Todos, todos, todos.
Neste coração canino tem espaço para todos.

Ricardo Starling

Brasília, 16 de janeiro de 2021

desconstrução

Os remédios para mudar o mundo
têm gosto amargo.

Eu quero atacar o falso real,
de conhecimento geral,
o produto eleito
pela nação,
pela maioria,
em algum delírio social.

Explicar a natureza humana,
sua razão
e sua existência
através da moral ou da ciência
é perda de tempo.

Tem gente que
não ouve nem vê
o que há de melhor,
mas compra e vende
o que há de pior.

E a tal da moral
põe a culpa no meu ombro.
Diz que tudo é um vício,
até gostar de você;
que tudo é errado,
é escombro,
e oprime o que há
em mim
de mais natural.

Viver comigo não é um perigo.
No caminho que eu sigo,
o verdadeiro inimigo
é muito mais perigoso.

Esta canção ou poesia
não é triste.
Triste é quem encontra
tristeza nesta canção
ou poesia.
Pois encontrar alegria
na Divina Tragédia da vida
é ser verdadeiramente feliz.

E não importa a força do golpe,
terei sempre algo a dizer.

Brasília, 15 de janeiro de 2021